O efeito ‘dólar notícia’ para fintechs de conta global, segundo o CEO da Nomad

16 de abril de 2026 22

Não é necessariamente um dólar valorizado ou desvalorizado o fator para aumento no fluxo de transações na Nomad, mas sim o fato de o dólar ‘virar notícia’, afirma Lucas Vargas, CEO da fintech de conta global.

Em entrevista ao Dinheiro Entrevista, o CEO da Nomad conta que os períodos em que o dólar tem um algum sobe e desce substancial ou rompe alguma marca relevante são os que costumam ser mais importantes para colocar plataformas de conta global em destaque – e aí consequentemente atrair um fluxo maior.

 

“Volatilidade no câmbio aumenta muito a busca por informação. Não é necessariamente o nível do dólar que importa, mas o fato de ele variar. Dólar sobe vira notícia, dólar cai vira notícia – e isso coloca em evidência plataformas que ajudam o cliente a navegar esse ambiente, como a nossa”, conta Lucas Vargas.

O executivo relata que o é difícil ‘isolar o impacto do câmbio ou dos juros na decisão de investir fora’, e assim traçar uma correlação direta. Entretanto, o movimento estrutural de diversificação internacional ‘segue forte’.

Nesta semana, o dólar caiu abaixo de R$ 5 pela primeira vez em dois anos, fruto de um ambiente mais favorável a um acordo entre EUA e Irã. Nesta quarta-feira, a divisa fechou a R$ 4,9927.

Ademais, o Brasil também se beneficia do cenário de petróleo em alta por ser um exportador líquido da commodity, com uma balança comercial mais positiva no momento atual.

Na segunda-feira, 13, o BTG Pactual revisou para US$ 90 bilhões sua projeção para o superávit da balança comercial brasileira, ante US$ 75 bilhões na projeção anterior.

‘Multiplicar 10x é algo crível’

Na esteira de crescimento de dois dígitos percentuais do seu braço de investimentos, a Nomad prevê faturar R$ 1 bilhão em 2026, com a companhia tendo chego ao breakeven no ano passado – jargão do mercado para se referir ao momento em que a receita total de uma empresa se iguala aos custos e despesas totais.

A empresa nasceu em meados de 2018 e soma mais de 3,8 milhões de clientes atualmente, com mais de R$ 8 bilhões em ativos sob custódia no exterior.

Vargas destaca que, com isso, dobrar e depois multiplicar até mesmo em dez vezes é algo ‘crível’.

“A expectativa é de continuidade da geração de caixa nos próximos anos, e com isso poderemos reinvestir e acelerar o crescimento, fazendo essa manutenção do breakeven

Segmento da Nomad ainda é visto como oceano azul

Apesar do ganho de tração de players que oferecem conta global e produtos similares, a gestão da companhia ainda enxerga um mercado endereçável com grande volume.

“O principal concorrente hoje ainda é o cartão de crédito brasileiro. Mesmo com custos elevados, ele continua sendo o produto mais utilizado por brasileiros no exterior, o que mostra o quanto esse mercado ainda tem espaço para evolução”, observa o CEO da Nomad.

Sobre a guerra de taxas no setor, destaca que a gestão tem focado na retenção dos clientes e não prevê cortes agressivos em um futuro breve.

“A retenção do cliente não vem do preço, mas da experiência. Se o cliente viaja e o cartão não funciona, isso gera uma frustração enorme e aumenta a propensão de ele buscar alternativas – e é aí que o foco no uso internacional faz diferença. Existe uma tendência de comoditização com a entrada de novos players, mas a nossa estratégia é focar em profundidade no produto internacional. A satisfação do cliente no uso lá fora, seja em pagamentos ou investimentos, é o principal diferencial que buscamos construir.”

Fonte: Eduardo Vargas