“O lago do crime”: PF rastreia dinheiro de bets em obra de luxo

20 de abril de 2026 15

Polícia Federal (PF) identificou indícios de que recursos ligados a apostas ilegais foram utilizados na construção de um lago artificial de luxo na mansão do cantor MC Ryan SP. Segundo documentos obtidos pela coluna, cerca de R$ 960 mil pagos ao responsável pela obra teriam origem em uma “via paralela corporativa”, usado para ocultar a procedência do dinheiro.

De acordo com a investigação, os valores foram destinados a Ricardo Caporossi Junior, conhecido como “Mestre dos Lagos”, profissional renomado no setor de lagos ornamentais e piscinas naturais de alto padrão.

“Ricardo Caporossi Junior recebeu R$ 960.000,00 entre 11/03/2024 e 05/09/2024. Conhecido como ‘Mestre dos Lagos’, RICARDO é fundador da Genesis Ecossistemas […] Além disso, há informações públicas de que foi ele quem projetou e construiu um lago artificial na mansão do Mc Ryan SP, avaliado em R$ 5 milhões.”

A PF aponta que os pagamentos ao especialista não ocorreram de forma direta e transparente, mas sim por meio de estruturas financeiras que indicam tentativa de ocultação da origem dos recursos.

Segundo os investigadores, a utilização de uma “via paralela corporativa” sugere que o dinheiro empregado na obra pode ter sido contaminado por atividades ilegais, especialmente ligadas ao universo das apostas online.

Operação

A Operação Narco Fluxo foi deflagrada pela Polícia Federal na quarta-feira (15/4), com a participação de mais de 200 policiais. Ao todo, foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária.

Segundo a PF, o grupo investigado pode ter movimentado mais de R$ 260 bilhões. Foram apreendidos dinheiro em espécie, veículos de luxo, armas, além de documentos e equipamentos eletrônicos.

Entre os presos estão MC Ryan SP, apontado como principal beneficiário do esquema, além de MC Poze do Rodo, Raphael Sousa Oliveira, responsável pela página Choquei, o influenciador Chris Dias e sua esposa, Débora Paixão.

De acordo com as autoridades, o esquema utilizava empresas do ramo artístico e digital para misturar receitas legais com dinheiro de atividades ilícitas, como tráfico de drogas, apostas ilegais e rifas virtuais.

A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens ligados aos investigados.

Fonte: Giovanna Sfalsin Mirelle Pinheiro