O PERIGO DAS TROTINETES
Quando estou na cidade de São Paulo, fico estupefacto com o movimento atordoador das viaturas. São filas intermináveis de ciclistas e motociclos, que sem respeito se enfiam, quase entalados, a grande velocidade, pelos estreitos intervalos dos automóveis, fazendo autênticas e perigosas habilidades circenses.
Sempre tive alma de montesino. Aprecio a calma da minha modesta casa; e dentro dela, a paz do meu quarto – apesar de viver no centro da cidade, – quiçá por isso, o transito da Pauliceia, estonteava-me.
Nunca entendi como é possível conduzir, com segurança, nessa balbúrdia, e chegar a casa (depois de um dia de trabalho) sem ter os nervos em frangalhos.
Talvez, por isso, adorava a minha pacata cidade onde sempre residiu: paz, concórdia e respeito.
Desgraçadamente, para meu infortúnio, a sossegada e quase familiar cidade do Porto, está, agora, transformada num saricoté endiabrado.
Não falo dos turistas, que chegam aos montes, com malas, malinhas e maletas, param e conversam nos passeios, desesperando o portuense apressado, mas as malfadadas motos e as impertinentes trotinetes.
De início pareciam brinquedos engraçados, quase infantis, transformados num rápido e simples transporte citadino, prático e económico.
Mas, rapidamente se tornaram indesejáveis e ameaçadoras.
Adolescentes irresponsáveis, quase crianças, correm de trotinetes, pelas ruas, passeios, jardins e até pelas estradas, a alta velocidade, algumas vezes em perigosas competições.
Circulam sem seguro, sem licença, sem capacete, sem regras, sem conhecerem os sinais de transito, sem ordem, como se fossem donos da via pública.
O que era um brinquedo, pratico, útil e económico, passou a ser praga, um perigo para todos nós.
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