O professor de R$ 10 mil nomeado por Onyx e o documento em inglês macarrônico
Foto: Tijolaço (Reprodução)
Quem viu o noticiário ontem deve ter ficado embasbacado com as notas fiscais (chamadas de ‘invoice’) apresentadas pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Onyx Lorenzoni. Os papéis eram repletos de erros primários de inglês, algo jamais imaginável quando falamos de documentos do alto escalão da administração pública federal.
O episódio, de tão grotesco, fez a senadora Simone Tebet (MDB-MS) suspeitar de fraudes nos ‘invoices’, já que nenhum servidor sério, de Estado, que assina compras públicas bilionárias, ou acordos internacionais, redigiria um termo tão bizarro e amador. A coisa é tão surreal que a palavra “price”, que é “preço” em inglês, foi grafada “prince”, que significa “príncipe”.
Isso para não falar no fato de que este é o terceiro documento diferente apresentado pelo governo para se defender no caso do suposto golpe da compra fraudulenta da vacina indiana Covaxin, que a cada dia assombra mais o presidente.
No entanto, as notas fiscais em inglês da 5ª série (mesmo nível de maturidade de Bolsonaro e seu ministério) fez alguns relembrarem uma história estapafúrdia protagonizada pelo secretário-geral da Presidência há uns dois meses: o professor de inglês particular de Onyx Lorenzoni nomeado para ganhar R$ 10 mil por mês dos cofres públicos.
Fazendo jus ao mantra bolsonarista “acabou a mamata”, o deputado gaúcho, que é o leão de chácara do Planalto, mandou contratar seu mestre no idioma da rainha, pela bagatela de R$ 10 mil, pagos ali, diretamente do erário público.
Allan Bubna, o docente, deu aula duas vezes por semana para Onyx e outros membros de alto escalão do governo antes da pandemia, mas não chegou a assumir o cargo na assessoria internacional da Casa Civil, repartição chefiada pelo cão de guarda de Bolsonaro à época, sendo exonerado dois dias depois da nomeação sair no Diário Oficial por conta de uma reportagem da Folha de S. Paulo que denunciava o enrosco.
Por fim, o que este episódio revela é um misto de trambique e amadorismo. Papéis oficiais do governo em linguagem sofrível ilustram o funcionalismo tosco do bolsonarismo, alimentado por nomeações no estilo “acabou a mamata”, sem que ela acabe de fato, enquanto os servidores sérios de carreira, sem os quais a máquina do Estado brasileiro não funcionaria, ficam encostados esperando o pesadelo acabar.