O QUE SABEM OS RUSSOS ?
Ignorado por completo do noticiário sobre o impasse na Venezuela, Vladimir Putin sabe – antes de mais nada – que a nova política de enquadramento e possível conflito na Venezuela é uma agressão americana frontal à Moscou. Muito além de uma trágica repetição do histórico de ingerências americanas nas suas “colônias americanas”, os russos estão plenamente cientes da trama que se passa. E pode ter certeza, há muito mais por debaixo dos panos desse complexo jogo de xadrez mundial do que se imagina.
Não é segredo para qualquer indivíduo bem informado que o governo chavista é uma pedra antiga no sapato americano desde os tempos do comandante Hugo Chavez Frias. A contar dos primórdios do chamado “Bolivarianismo”, tentativas de Golpe já foram levadas adiante na Venezuela inúmeras vezes, todas sem sucesso. Entretanto, o que leva os EUA a tomar uma decisão de campanha massiva contra a Venezuela nesta altura, desta vez sugerindo uma campanha de envergadura maior que as outras ocasiões? O recente clima de regimes de exceção na América do Sul coordenados pelos EUA ajudam a explicar metade da história.
O estopim do tema Venezuela chegou e nada tem a ver com a preocupação de Washington com ajuda “humanitária” ao povo venezuelano. Transformações perigosíssimas no cenário além-mar atormentam os EUA já há um bom tempo, provocadas não só pelas derrotas no Oriente Médio (Iraque, Afeganistão, Síria) e Leste europeu (Ucrânia) mas também pela capacidade de Rússia e China ampliarem o seu destaque político e econômico pelos quais estão vocacionados na Eurásia.
Por exemplo, o governo saudita, histórico aliado dos EUA e um dos principais atores da OPEP (um dos instrumentos de pressão geopolítica mais poderosos que existem) se aproxima de forma cada vez mais evidente na direção de acordos energéticos com a Rússia e a China. Algo impensável há 20 anos atrás. O conceito de OPEP+ com a integração da Rússia em meio as negociatas de distribuição tubular em toda a Eurásia fazem os EUA suarem frio.
E a Venezuela? Os russos estão cientes de que diante de informações periclitantes como essas, onde pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial, os EUA vêem o seu poder de influência ameaçado por novos atores globais e assim planeja grandes manobras estratégicas. Nunca, nem mesmo na História recente da Venezuela, os EUA desejaram tanto as jazidas de petróleo do país sul-americano.