Os assuntos que, mesmo sem clima, Lula tem interesse em tratar com Alcolumbre

19 de maio de 2026 25

Uma conversa de Lula com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), deve ocorrer nos próximos dias. A retomada do diálogo é necessária, de acordo com avaliações de integrantes do governo e de articuladores do Planalto no Congresso, mesmo que o clima entre os dois continue abalado após a rejeição, pelo Senado, do nome de Jorge Messias para o STF. 

A expectativa é de que os dois conversem na próxima quarta-feira, 20, durante uma cerimônia no Planalto sobre o Pacto Nacional contra o Feminicídio. Alcolumbre foi convidado, mas não havia confirmado presença até o início da noite desta segunda-feira, 18. Na última vez que estiveram juntos em público, na posse de Nunes Marques na presidência do STF, os dois permaneceram lado a lado durante toda cerimônia, mas não se falaram. Nem mesmo se olharam.

Nos últimos dias, foi especulado que Lula pode indicar de novo o nome de Messias para o STF, ainda que o Regimento Interno do Senado tenha de ser mudado para que seja permitida a análise no mesmo ano. Caso se confirme, essa medida pode atrapalhar a reaproximação. Mas o petista, de qualquer forma, precisa preparar o terreno no Senado para votações importantes para sua campanha.

A primeira é a PEC que acaba com a jornada de trabalho 6×1. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu acelerar o rito e votar no próximo dia 27, junto com a PEC, o projeto do governo sobre o mesmo assunto. Se aprovados, os textos seguirão para o Senado e dependerão de Alcolumbre para determinar o ritmo da tramitação. 

Relatores
Na semana passada Alcolumbre disse ao líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), que logo designará os relatores da PEC da 6×1 e do marco regulatório das terras raras. Esse gesto foi recebido pelo governo como um sinal de boa vontade para a retomada da relação. Mesmo assim, sem seguraça, o Planalto manterá o regime de urgência do projeto de lei sobre a 6×1, o que provoca o trancamento da pauta se o texto não for votado em 45 dias.

 

Fonte: Luciana Lima