Paradoxo partidário: Múmias do MDB duelam na ARENA
Dirigentes catam figurantes para a cena final de um filme cujo fim todos sabem
A verdadeira caçada para a composição de nominatas durante a chamada janela partidária, que se fechou nesse sábado de aleluia, demonstrou que o MDB rondoniense é mesmo bem diferente dos demais partidos. Talvez por isso esteja comemorando seus 60 anos de uma maneira, no mínimo, inusitada.
Vejamos: uma “intervenção branca”, que pelo menos mostra que nem sempre a cor negra é a utilizada para se referir negativamente a alguma coisa. Sobem ao ringue duas múmias, resgatando os espetáculos de luta livre da época em que o partido foi criado. Irônico, mas a briga interna do MDB acabou na arena.
É triste ter que explicar o trocadilho. Mas necessário, pelo menos para a geração tiktoker, que é hoje a determinante do processo eleitoral, pelo menos assim creem alguns prefeitos. É, amigos. Os candidatos acreditam piamente que a conquista de votos pode ocorrer com a postagem de vídeos dos quais, com certeza, vão se arrepender daqui a vinte anos. Se chegarem lá, é claro.
Vamos à explicação: Arena era a sigla do partido de apoio ao governo militar de 1966 a 1979, que dividia a cena com o MDB. Era assim: a Aliança Renovadora Nacional (Arena), que dizia “sim” aos generais. E o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), oposição consentida, que, em vez de dizer “sim”, dizia “sim, senhor”. Era o que tínhamos.
Voltando aos tempos atuais, eis que, em meio a toda essa efervescência das redes sociais, acontece um duelo entre anciões do sexagenário MDB. De um lado Amir Lando, pleiteando vaga para disputar o Senado, mas sem querer que Confúcio Moura também o faça. Mais que isso, Amir é amigo de ninguém menos que Baleia Rossi, presidente nacional do MDB com mandato válido até maio de 2027.
E Baleia tem interesses pessoais no tabuleiro político de Rondônia. Um deles se refere a Acir Gurgacz, alguém que Baleia não quer ver no Congresso Nacional nem pintado. E Acir já estava em acordo com Confúcio Moura, inclusive fazendo permuta de filiações para composições de nominatas combinadas no Partido Democrático Trabalhista (PDT) e no MDB, um com nomes para deputado federal e o outro com nomes para estadual. E aí aterrissam, vindos diretamente de Brasília, Amir e Baleia para estragarem a festa.
Amir é da paz, é tão bom de conversa que conseguiu algo inédito na história do Brasil quando foi relator do impeachment de Fernando Collor: a derrubada de um presidente da República em tempo recorde e só na argumentação verbal. Confúcio, quem o conhece sabe que nunca foi bom orador. Fala frase por frase e isso quando consegue formá-las.
E aí é esse o impasse que o MDB rondoniense vive no momento, aguardando com angústia a Vigilância Sanitária se manifestar sobre quem é que está com a validade vencida há mais tempo, mas sem poder sequer tirar a dúvida lendo os rótulos, já ambos desgastados pelo tempo e com o código de barras ilegível. Enquanto isso, os pretensos pré-candidatos a deputado estadual e deputado federal aguardam na fila e, para distinguir qual dos combatentes está com o prazo há mais tempo vencido, apelam para a fé: Confúcio, fé demais. Amir, fé de menos.
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