Pazuello afirma que crise sanitária em Manaus aconteceu porque caboclos ficaram em casa

30 de janeiro de 2021 152

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, concedeu nesta sexta-feira (29) uma entrevista coletiva em que falou sobre os motivos que teriam levado a cidade de Manaus a enfrentar a crise sanitária atual. Manaus ainda sofre com os efeitos negativos do baixo estoque de oxigênio hospitalar diante do alto número de pacientes registrados na cidade que necessitam de auxílio para respirar.

Segundo o ministro, o problema é que em Manaus a população cabocla (mestiços de indígenas com brancos) possui uma característica de não ir as unidades de saúde assim que os primeiros sintomas da Covid-19 são percebidos. Pazuello afirmou que esta demora para que esta parcela da população receba o atendimento básico por parte dos médicos da rede pública e assim receber medicamentos para combater a doença, foi um fator que levou a cidade até a situação atual.

“O caboclo tem que entender que ele tem que ir imediatamente procurar um médico”, afirmou o ministro ao anunciar que se iniciará uma campanha preventiva na cidade. Segundo Pazuello, todas as casas de Manaus receberão um panfleto da prefeitura explicando melhor como proceder ao surgirem os primeiros sintomas da Covid-19.

Tratamento precoce

Assim como o presidente da República, Jair Bolsonaro, o ministro da Saúde defendeu a utilização do chamado tratamento precoce contra a Covid-19. Segundo eles, a utilização preventiva da cloroquina, da azitromicina ou de alguns outros medicamentos já ao surgimento dos primeiros sintoma da Covid-19 permitiriam que os pacientes se curassem.

A teoria foi amplamente questionada pela comunidade médica que afirmou que a tese não possui nenhum tipo de embasamento científico e nem seria verdade.

Inquérito

A crise sanitária de Manaus também fez com que o ministro da Saúde se tornasse alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal. A pedido do Procurador Geral da República Augusto Aras, as ações de Pazuello no comando do ministério serão investigadas.

Segundo informações internas o ministro já tinha conhecimento de que Manaus poderia passar por uma crise humanitária antes mesmo de se começar a registrar a falta de oxigênio para atender todos os pacientes.