PMs ignoram lei ao usarem farda para expor apoio a Bolsonaro nas redes sociais

2 de agosto de 2021 94

No caso da Polícia Militar, os estatutos não delimitam em detalhes a atuação dos PMs nas redes sociais. Os estados da federação possuem textos diferentes, que não proíbem a manifestação política individual, mas se aproximam nas duas regras claras que tratam do tema. O uso dos uniformes com seus distintivos, insígnias e emblemas, assim como outras peças acessórias da PM, é expressamente proibido em reuniões, propaganda ou qualquer outra manifestação de caráter político partidário.

A outra regra clara definida pela maioria dos estados é que, ao participar de atividades político-partidárias, os policiais militares devem se abster do uso de suas designações hierárquicas. O único estado que foge a este padrão é o Amapá, que não cita no estatuto da PM nenhuma delimitação sobre manifestações políticas.

As definições rasas, na prática, abriram espaço para que policiais militares se tornassem influenciadores digitais de farda. Com quase 25 mil seguidores no Instagram, o segundo sargento da Polícia Militar do Estado do Rio Da Silva posa de uniforme em sua foto de perfil e costuma publicar imagens de sua atuação como policial. Entre os posts de sua rotina, Da Silva deixa claro o apoio a Jair Bolsonaro ao parecer fardado ao lado do presidente.

Da mesma maneira, o subtenente Cotias, da Polícia Militar da Bahia, aparece fardado no perfil em que compartilha as operações que integra. Em uma de suas postagens, com a legenda “Brasil vai dar certo”, Cotias explica o que é ser um bolsonarista: “Apoiar uma política limpa, lutar por um país melhor para as próximas gerações. Sinto orgulho de fazer parte deste grupo seleto”, compartilhou. (…)

Fonte: O GLOBO