Ponha-se no lugar de Bolsonaro para poder entendê-lo melhor
Empatia é a “capacidade de você sentir o que outra pessoa sente caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela, ou seja: procurar experimentar de forma objetiva e racional o que sente o outro a fim de tentar compreender seus sentimentos e emoções”.
O déficit de empatia em Bolsonaro é gigantesco. Se ele tem alguma, é por seus filhos, sua mulher e alguns amigos. Mas não somos obrigados a padecer do mesmo mal se desejamos entendê-lo, seja para diminuir ou aumentar nossa aversão a ele.
Desde que estourou o escândalo da roubalheira no Ministério da Educação, lá se vão poucos dias, Bolsonaro vem sendo pressionado por políticos, evangélicos, a mídia e adversários para que demita o ministro Milton Ribeiro, pastor da Igreja Presbiteriana.
Ribeiro é acusado de ter aberto o cofre do ministério para saciar a fome de dois pastores picaretas que pediam propina em troca de dinheiro público. Uma dezena de prefeitos contou que era assim e que o esquema, também a serviço do Centro, funcionava há anos.
À época do mensalão do PT, Lula disse uma vez que o presidente da República não pode saber de tudo que acontece no seu governo; assim como um pai não sabe de tudo que seus filhos fazem ou deixam de fazer. Bolsonaro também já disse algo parecido.
Mas, no caso da bandalheira descoberta no Ministério da Educação, foi ele que recomendou a Ribeiro que desse um tratamento especial aos assaltantes, particularmente a um deles, o pastor Gilmar. Há uma gravação onde Ribeiro reconhece isso.
Não quer dizer que Bolsonaro tenha autorizado os pastores a furtarem; vai ver que nunca passou pela cabeça dele que fossem larápios, embora que para saber disso antes poderia ter acionado os serviços de inteligência do governo, e não o fez. Um descuido.