Quaest: com alta de alimentos e gasolina, inflação pode tirar Bolsonaro do segundo turno

8 de dezembro de 2021 112

Pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (8), que mostra Lula na liderança isolada com possibilidade de vitória no primeiro turno nas eleições presidenciais de 2022, acende um alerta vermelho no Ministério da Economia, de Paulo Guedes, que já deu mostras que não sabe o que fazer para conter a alta crescente dos preços.

O estudo mostra que a inflação de dois dígitos é a principal área de escape das intenções de voto de Bolsonaro e que 70% dos eleitores avaliam como negativa a postura do presidente frente o aumento dos preços, que atinge sobretudo a alimentação.

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economia é vista como principal problema do país para 41% e 18% temem o desemprego. A inflação vem em seguida, citada por 9%.

É a economia, estúpido!

A máxima cunhada pelo publicitário James Carville, que assessorou Bill Clinton na vitória contra George Bush nos EUA em 1993, é o que deve nortear as eleições 2022 no Brasil.

Guru do sistema financeiro, Christopher Garman, da Eurasia Group diz que Lula está no segundo turno e que a ascensão de uma terceira via para entrar na disputa no lugar de Bolsonro depende menos do nome e mais do desempenho da economia, capitaneada pelo “posto Ipiranga” Paulo Guedes.

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“Na Eurasia colocamos a possibilidade de 20% do presidente não chegar no segundo turno. Quatro meses atrás, por outro lado, terceira via parecia ‘wishful thinking’. Hoje não é um cenário provável, mas é um possível. Depende do grau de deterioração da economia. Podemos também ter uma outra onda de covid-19, como está acontecendo na Europa. Há fatores exógenos. O caminho da terceira via depende mais dessas variáveis do que de um nome”, disse Garman em recente entrevista.

As previsões de Garman ficam expostas na pesquisa Quaest, que revela que Bolsonaro perde as eleições mesmo com Lula fora da disputa – o levantamento é o primeiro que simula uma disputa presidencial sem o petista.

O presidente perde para Sergio Moro (Podemos) por 34% a 31%, e para Ciro Gomes (PDT), por 39% a 34%.

A reportagem d’O Globo sobre a pesquisa mostra que Moro ganhou a queda de braço e será o candidato da mídia liberal – e, consequentemente, do sistema financeiro – na disputa.

Com isso, o ex-juiz tende a ganhar destaque nas manchetes e polarizar a disputa pela vaga no segundo turno com Bolsonaro, já que Lula está praticamente garantido segundo as previsões dos próprios adversários.

Por outro lado, Bolsonaro deve inflar ainda mais os programas sociais, ignorando o teto de gastos públicos.

Exemplo disso aconteceu nesta quarta-feira (8), quando o presidente editou uma Medida Provisória para pagar o Auxílio Brasil no valor de R$ 400 ainda em dezembro – o valor estava previsto apenas para 2022, com recursos da PEC dos Precatórios.

Um dia antes, Bolsonaro também se desesperou com a possibilidade de se “fechar o espaço aéreo” com chegada do ômicron ao país.

O embate, no entanto, pode fazer com que Moro e Bolsonaro, que juntaram forças para derrotar Fernando Haddad (PT) em 2018, morram abraçados, favorecendo uma cada vez mais possível vitória de Lula no primeiro turno.

Não é sobre vidas. Nem sobre liberdade. É sobre disputa eleitoral. E das chances que podem se esvair a medida que a inflação sobe e a economia derrete.

Fonte: REVISTA FÓRUM/PLINIO TEODORO