Secretário de Audiovisual de Bolsonaro ataca versão de “Três Porquinhos” sobre masculinidade tóxica

12 de dezembro de 2021 246

Colecionando polêmicas e cargos com super salários no governo Jair Bolsonaro (PL), o secretário nacional do Audiovisual Felipe Cruz Pedri foi às redes sociais às 7h33 deste domingo (12) atacar uma animação que traz uma versão do clássico “Os Três Porquinhos” para falar da masculinidade tóxica.

A esquete, divulgada pela marca de bolachas Oreo no GloboPlay, canal de streaming da TV Globo, conta a história de repressão de um pai que vira “lobo mau” ao ver o filho brincar de boneca com vizinhos.

A animação é parte de um projeto da marca de bolachas que faz uma releitura de clássicos das histórias infantis com valores morais.

Doutrinado por Olavo de Carvalho, Pedri vê na versão de “Os Três Porquinhos” um levante socialista contra “famílias fortes e homens que a protejam”.

Tornar homens frágeis e inúteis e alçar mulheres ao posto de portadora da ação de força, eis o script da mudança artificial de eixo antropológico que está sendo preparado para os nossos filhos. O efeito de tudo isso é uma sociedade confusa, sobretudo sem células familiares fortes”, delira o olavista.

“Portanto, a consequência da ausência de famílias fortes e homens que a protejam alça o ESTADO ao único provedor de força necessária para a proteção humana. O socialismo destrói a célula mater da sociedade e se oferece como solução logo depois“, afirma na sequência Pedri, que antes de ser alçado aos gabinetes políticos pelo atual ministro do Trabalho, Onyx Lorenzoni (DEM-RS) trabalhava na “direção de vendas e coordenação de comunicação da Vulgo Comércio de Vesturário, em Porto Alegre.

Ascenção política e polêmicas com o bolsonarismo

Felipe C. Pedri é uma das centenas de jovens neoconservadores doutrinados por Olavo de Carvalho que foram alçados à política na esteira do bolsonarismo.

Gaúcho, Pedri entrou no mundo político em 2016 alçado a assessor de comunicação de Lorenzoni. Com a eleição de Bolsonaro, ele já está em seu sétimo cargo comissionado no governo, sempre com salários de dois dígitos.

Em outubro, ele foi exonerado pelo Ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP), da Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência (Secom) após pegar carona na comitiva de 69 pessoas comandada por Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) que viajou a Dubai, nos Emirados Árabes, ao custo de R$ 3,9 milhões.

Nesse mês, segundo dados do portal Transparência, Pedri recebeu líquido um total de R$ 21.009,24. Além da remuneração de R$ 16.944,90 (bruta), a conta do olavista foi recheada com outros R$ 8.400,00 de “outras remunerações eventuais”, que não foram detalhadas no holerite.

Em abril de 2020, Pedri já havia sido exonerado pelo então Ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, após escrever o manifesto de fundação do partido de Bolsonaro, Aliança pelo Brasil, com dezenas de teses olavistas, que se assemelha a documentos nazi-fascistas.

Em sete páginas, o documento repete o mantra de Olavo de Carvalho de combate ao “globalismo”, repudia o aborto sob todas as suas formas e defende o resgate aos “patriotas do passado, do presente e do futuro, unidos por um vínculo moral e de lealdade à pátria”.

Em seu currículo, Pedri ainda coleciona passagem pela assessoria parlamentar de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), entre abril e setembro de 2020, além de gerente da American Express, em Porto Alegre, em 2004.

Um mês após ser exonerado por Ciro Nogueira, Pedri foi recebido na Secretaria de Cultura por Mário Frias Filho, onde comanda, entre outros, o fundo para financiamento do audiovisual brasileiro.

Veja as publicações no Twitter e assista à versão d’Os Três Porquinhos atacado pelo bolsonarista na GloboPlay

 

 

 

Fonte: REVISTA FÓRUM/PLINIO TEODORO