Segurança pública: campanha eleitoral antecipada

16 de março de 2018 327

Como já vinha acontecendo desde o final do ano passado, nada mais previsível e constatável de que, com a proximidade do período eleitoral, o governo Sartori insista na manipulação de dados para acomodar uma narrativa que contraria fatos objetivos.

Numa das áreas mais atingidas pelo projeto de “Estado Mínimo” do quarto governo do PMDB no RS, o caos na Segurança Pública com o corte de 90% do orçamento, elevou a violência e a criminalidade a níveis nunca antes vistos. Passamos de R$ 270 milhões em 2014, para R$ 48 milhões em 2017. Logo Porto Alegre ficou entre as capitais mais violentas do país. Os roubos aumentaram 40% e os latrocínios, 62%, entre 2014 e 2016.

Além do corte no orçamento, do cancelamento de nomeações de novos policiais concursados em 2014, houve redução em 40% nas operações policiais nos dois primeiros anos do governo Sartori. Os patrulhamentos caíram 31% e os flagrantes caíram 30%. Assim, o Rio Grande do Sul passou de 25°lugar no número de homicídios para 15° lugar no Brasil.

Mas o que fez Sartori diante de tanto descalabro na Segurança Pública? Demitiu o secretário Jacini e nomeou o então prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer para a pasta. Em seu primeiro ano, Schirmer fez um conjunto de anúncios para resolver problemas criados pelo seu próprio governo, como a “desnomeação” de mais de 2 mil brigadianos que poderiam estar na rua desde 2015 e só voltaram a ser nomeados aos poucos, no final de 2016.

Mesmo com o reforço da Força Nacional a criminalidade seguiu crescendo, e assim que o efetivo policial foi deslocado para a Região Metropolitana, a criminalidade migrou para o interior. Os assaltos a banco ganharam contornos cinematográficos, incluindo até prefeitos como reféns! Somente este ano, de janeiro a março já foram 19 assaltos a bancos no interior.

Para contornar a situação, o secretário Schirmer, no final do ano passado, divulgou dados da Segurança Pública completamente adulterados, registrando 570 homicídios a menos no Rio Grande do Sul. Não é pouca coisa! O fato foi denunciado nesta Tribuna e reconhecido pela própria SSP, que chegou a divulgar seis versões diferentes do ocorrido, antes que houvesse a correção.

Acontece que, para forçar a realidade a caber na retórica do governador, que afirmou em recente passagem por suas bases eleitorais, que resolveu dois terços dos problemas do RS, Schirmer voltou a descumprir a lei que obriga a divulgação semestral dos dados de Segurança. Ele criou um relatório próprio, medindo apenas os dois primeiros meses do ano, para conseguir apontar alguma redução nos alarmantes índices de violência do Estado.

E pasmem! É o pacote completo! Um dia depois do anúncio do secretário Schirmer, já apareceu um editorial amigo em um grande jornal, comemorando a falsa queda dos números, divulgada pelo governo.

A medida além de ilegal, já foi apontada por especialistas, como a socióloga Letícia Schabbach, professora da UFRGS, como insuficiente para indicar qualquer tendência de redução da criminalidade. Outro especialista, o professor Rodrigo Ghiringhelli, da PUC-RS, relaciona a mudança de critério na divulgação dos dados ao período eleitoral. Ora vejam, não se trata da Oposição denunciando! Todo mundo está vendo as manobras!

O caos na Segurança Pública é uma evidência inegável dos resultados da política de “Estado Mínimo” amplamente utilizada para mascarar a displicência e a falta de compromisso com a população.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2014 o RS tinha 20,9 homicídios por 100 mil habitantes. Em dois anos, esse número subiu para 25,2 homicídios. Um crescimento acelerado em um espaço muito curto de tempo. Resultado das opções políticas do governo Sartori.

A narrativa de que está tudo bem, só serve para fins publicitários. A fórmula tem sido a mesma: o governo produz um factoide, sem obedecer qualquer critério técnico ou científico e os parceiros da mídia amiga, se prestam a reproduzir a mentira, para que se torne verdade e abafe as críticas e a péssima performance do governo.

(*) Líder da Bancada do PT na Assembleia Legislativa

 

 

 

 (Foto: Guilherme Santos/Sul21)