Vazamentos impõem medo e dificultam comunicação no MPF
A divulgação, no último domingo (9), de conversas de procuradores do Ministério Público Federal (MPF) deixou assustados integrantes do órgão. Antes daquele dia, era comum entre eles a discussão de casos investigados por meio dos grupos de chat das forças-tarefas e até mesmo o envio de documentos relativos às apurações.
De lá para cá, porém, vieram à tona indícios de que o suposto ataque de hackers foi mais amplo que se pensava. As notícias resultaram em um receio crescente de utilizar aplicativos de troca de mensagens.
A perda de um meio rápido de comunicação muito difundido entre procuradores poderá desacelerar investigações no curto prazo, disse ao Terra uma fonte do MPF. “Tem gente evitando conversar”, afirma.
Conforme os crimes foram se complexificando, tornou-se mais comum a formação de forças-tarefas com autoridades especializadas em áreas diferentes.
Um procurador especialista em lavagem de dinheiro e outro com conhecimentos em crimes digitais, quando trabalham juntos, precisam tirar as dúvidas uns dos outros, por exemplo.
Pelo que se sabe até agora, o provável ataque de hackers foi focado no Telegram. O aplicativo ficou famoso no país por ser a opção mais difundida ao WhatsApp, que saiu do ar por decisão judicial diversas vezes no Brasil.
Integrantes do Ministério Público Federal se habituaram a conversar por meio do Telegram porque ele era tido como seguro.
Além de grupos das forças-tarefas, os investigadores também têm grupos temáticos e de diversas outras naturezas.
O caso Vaza Jato
As reportagens que deram início ao caso foram publicadas pelo site The Intercept Brasil. Elas mostram conversas entre o coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, e seus colegas.