Zema escala ataque ao STF: “Supremo Balcão de Negócios”.

24 de abril de 2026 21

Para o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato do Partido Novo à Presidência da República, Romeu Zema, o Supremo Tribunal Federal tornou-se um “Supremo Balcão de Negócios” e é responsável por causar crises no Brasil. Os ministros da Corte Dias Toffoli e Alexandre de Moraes teriam se associado ao banco Master, de Daniel Vorcaro, para enriquecer, disse ele.

“Nós temos ali dois ministros que sabemos nitidamente que se associaram com o maior criminoso do Brasil, que é o fundador e controlador do Banco Master. Foram tomar uísque juntos, voaram no jatinho, tiveram festas, reuniões, eram íntimos, vamos deixar bem claro”, diz ele.

Para Zema, Toffoli e Moraes deveriam não apenas sofrer impeachment, como também ser investigados e, eventualmente, presos.

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Se em outros momentos o STF ajudou a atenuar crises, agora a Corte se tornou causadora de problemas, diz o empresário de 62 anos, natural de Araxá (MG).

“Quem antes era bombeiro para apagar incêndio agora se transformou em incendiário. Está colocando a nossa República e as nossas instituições em risco”, disse ele, em entrevista ao Metrópoles.

“Está muito claro que essa crise que o Brasil está vivendo foi causada dentro do Supremo, foi causada também pelas indicações desses ministros do Supremo. Indicações totalmente inadequadas”, disse ele.

Nos últimos dias, o pré-candidato se tornou alvo de críticas do ministro Gilmar Mendes, do STF. O ministro pediu a inclusão de Zema no chamado “inquérito das fake news”, criado originalmente para investigar ameaças aos ministros, por conta de uma série de vídeos satíricos do pré-candidato do Novo nas redes.

Nas publicações, os ministros aparecem como fantoches de pano. Um desses vídeos ironiza o fato de Gilmar Mendes ter anulado a quebra de sigilo da empresa Maridt Participações, pertencente a Toffoli e familiares dele.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista de Zema ao Metrópoles.

Metrópoles — Na semana passada, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, decidiu incluir o senhor no chamado inquérito das fake news. O senhor é um fazedor de fake news?

Romeu Zema — Não era de se esperar outra coisa de um tribunal que tem se especializado em fazer perseguição.

Não sou o primeiro, com certeza não serei o último. Um tribunal que até pouco tempo atrás dizia que sátiras (como a série de vídeos “Os Intocáveis”, publicada por Zema nas redes) seriam até saudáveis para uma democracia, mas parece que, quando eles aparecem, não ficam muito contentes. Mas eu já falei que continuarei a agir exatamente como vinha fazendo. Eu continuarei falando.

O Brasil está vivendo uma das maiores crises, talvez, da sua história. O Supremo Tribunal Federal, no passado, foi uma instituição que amenizou, que atenuou crises. E, neste momento, é o “Supremo Balcão de Negócios” no qual ele se transformou que está causando crises no Brasil.

Quem antes era bombeiro para apagar incêndio agora se transformou em incendiário. Está colocando a nossa República e as nossas instituições em risco. E nós sabemos o porquê.

Vocês que levantaram aqui detalhadamente: um banco (o Master), criado por um aventureiro, por um oportunista criminoso, se associou com os ministros do Supremo Tribunal Federal, e eles não querem que o brasileiro tenha conhecimento disso.Vídeo do Youtube


Ministros do Supremo se associaram talvez ao maior criminoso do Brasil da atualidade, talvez da história. Eu não me recordo de um golpe com valor tão elevado assim.

 

E agora ficam tentando jogar a culpa nos outros, em quem está trabalhando. O ministro devia ir lá em Minas Gerais e perguntar para o mineiro como foi o meu governo, para ele ficar um pouco mais bem informado. Acho que excesso de ar-condicionado e bajulador no gabinete dele não deve estar fazendo muito bem.

Metrópoles — O senhor disse que, caso eleito, pretende criar um novo Supremo no Brasil. O que seria exatamente a mudança que o senhor faria no Supremo e como isso poderia ser feito, dado que o Poder Judiciário tem autonomia em relação ao Executivo?

Romeu Zema — Está muito claro que essa crise que o Brasil está vivendo foi causada dentro do Supremo, foi causada também pelas indicações desses ministros do Supremo. Indicações totalmente inadequadas.

Vamos pegar o caso do Luiz Inácio Lula da Silva: ele já nomeou seu ex-advogado (Cristiano Zanin), o ex-advogado do partido dele (Dias Toffoli), o ex-ministro dele (Flávio Dino). Será que é isso que faz um Supremo de qualidade? Tenho certeza de que não. O que eu quero é um Supremo diferente, com gente que realmente tenha esse histórico ilibado, que inclusive a Constituição cita.

As mudanças que eu e o meu partido, o Partido Novo, propomos são as seguintes: primeiro, idade mínima de 60 anos. Isso corrige dois problemas: primeiro, você não vai colocar gente lá imatura, oportunista, com 35, 40 anos, como já aconteceu.

Essa pessoa vai ficar no máximo 15 anos, já que entraria com 60. Quem tem 60 anos já está com a vida resolvida, os filhos crescidos, já tem um patrimônio, tem uma bagagem profissional muito maior do que alguém mais novo. É o coroamento de uma carreira longa.

Mas o Brasil, diferente de todas as democracias avançadas, colocou lá ministros “júnior”, vamos dizer assim, para poder satisfazer a vontade do presidente. E o resultado nós estamos vendo: não tem sido nem um pouco bom.

Outra medida seria acabar com as decisões monocráticas, principalmente aquelas sobre decisões do Congresso. Uma canetada de um ministro, às vezes um ministro júnior, vale mais do que o voto de 513 deputados federais. Parece que essa balança está bem desequilibrada. O Supremo pode até analisar, mas que seja feito pelo colegiado.

Metrópoles — Posso assumir que, se eleito presidente, o senhor vai orientar a sua base no Congresso Nacional a tocar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal?

Romeu Zema — Certamente.

Metrópoles — Quais ministros?

Romeu Zema — Eu espero até que nós consigamos isso antes da eleição, né? Porque motivos já existem.

Nós temos ali dois ministros que sabemos nitidamente que se associaram com o maior criminoso do Brasil, que é o fundador e controlador do Banco Master. Foram tomar uísque juntos, voaram no jatinho, tiveram festas, reuniões, eram íntimos, vamos deixar bem claro. E agora estão se fazendo de quem não sabia de nada ou de quem fez um contrato lícito.

Nem bancos muito maiores do que o Master contratam algum escritório de advocacia pelo valor que a esposa do senhor Alexandre de Moraes foi contratada.

Bancos 10, 20, 50 vezes maiores não fizeram contrato de valor semelhante. Aquilo ali é claríssimo: é para o ministro Alexandre de Moraes e sua família se enriquecerem de maneira que não é nem um pouco republicana.

Além dele, tivemos a transação acionária totalmente anômala do Dias Toffoli, que também visava algum tipo de vantagem pessoal, enriquecimento. Esses dois ministros, eu espero que o Senado avalie muito bem a situação deles.

Metrópoles — A avaliação popular do Supremo Tribunal Federal é bastante negativa hoje, segundo as últimas pesquisas. Não é surpreendente que seja só o senhor basicamente falando sobre esse tema? Por que, por exemplo, o senador Flávio Bolsonaro não fala nunca sobre o Supremo Tribunal Federal?

Romeu Zema — O Flávio tem a questão do pai dele (o ex-presidente Jair Bolsonaro), né? Eu penso que até ele pode temer o Supremo retaliá-lo com relação ao que o pai dele tem sofrido. Talvez esse seja o motivo (…).

O nosso Supremo Tribunal Federal, como eu já falei, precisa mudar de nome ou as pessoas que estão lá, porque hoje ele é o “Supremo balcão de negócios” e continuará a ser enquanto esses ministros que se associaram com o maior criminoso de colarinho branco do Brasil estiverem presentes lá.

Além do impeachment, o que eles fizeram, depois de uma investigação, na minha opinião, é motivo até de prisão, porque o que eles fizeram ali foi utilizar o cargo para enriquecimento.

Não estão trabalhando lá a favor do pagador de impostos, que já paga o salário deles; estão lá fazendo uma operação para ganhar dinheiro via esposa, via participação acionária e por aí vai. Isso é uma vergonha para o Brasil.

Vi há pouco tempo um relatório da Transparência Internacional colocando o Brasil como o país que mais está tendo retrocesso nessa questão. E tudo isso muito devido a esses ministros que se associaram com criminosos.

Fonte: Andre Shalders