A caminho do hospital, Bolsonaro passará perto de embaixadas ‘aliadas’

12 de setembro de 2025 95

Neste domingo, 14, Jair Bolsonaro deixará sua casa no Condomínio Solar de Brasília, na região do Lago Sul, e seguirá até o hospital DF Star para realizar um procedimento cirúrgico na pele. O deslocamento do ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar desde 4 de agosto, foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos sobre a trama golpista no STF (Supremo Tribunal Federal). Moraes determinou que o deslocamento seja feito sob escolta policial.

Nos trajetos mais óbvios entre o condomínio onde mora e o hospital, localizado no final da Asa Sul de Brasília, Bolsonaro passará perto de embaixadas de países que ele próprio tem como “aliados” – dentre os quais os Estados Unidos de Donald Trump – e que nos últimos tempos foram listados como possíveis destinos em um possível pedido de asilo. 

Também ficam no caminho (veja na imagem destacada) as representações diplomáticas da Argentina, da Hungria e da Itália, igualmente governados por políticos de extrema direita. Nesta quinta-feira, 11, Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de cadeia por participação na trama golpista.

Risco de fuga
Recentemente, com autorização de Moraes, a vigilância na parte interna da casa de Bolsonaro foi reforçada após a Polícia Federal apontar risco de o ex-presidente fugir para pedir asilo em embaixadas. Durante uma busca e apreensão no endereço dele, os investigadores encontraram o rascunho de uma carta para o presidente argentino, Javier Milei. O documento teria sido elaborado em fevereiro de 2024 justamente para pedir refúgio.

Em 2024, após a apreensão de seu passaporte pela Polícia Federal, Bolsonaro passou duas noites na embaixada da Hungria em Brasília, o que gerou especulações sobre uma possível tentativa de se proteger da Justiça. O país é comandado pelo primeiro-ministro Viktor Orbán, um dos mais destacados líderes da extrema direita na Europa. Na Itália, Bolsonaro tem afinidade política com a primeira-ministra Giorgia Meloni.

Escolta da Polícia Penal
No despacho em que autorizou Jair Bolsonaro a deixar a prisão domiciliar para realizar o procedimento no hospital, Alexandre de Moraes ordenou que o deslocamento seja acompanhado pela Polícia Penal do Distrito Federal. Bolsonaro terá que apresentar um atestado de saúde nas 48 horas seguintes ao atendimento.

 

Fonte: Rafaela Rosa