A violência LGBT em tempos de Resistência

17 de maio de 2018 403

Neste 17 de maio de 2018, Dia Nacional de Luta Contra as LGBTfobias, vivemos num período obscuro, de perdas de direitos, ataque a democracia, perseguições, assassinatos e prisões de lideranças políticas, enfim, tempos que se parecem com 1964, o período da ditadura militar.

No Brasil 343 LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) foram assassinados em 2016. A cada 25 horas um LGBT é barbaramente assassinado vítima da “LGBTfobia”, o que faz do Brasil o campeão mundial de crimes de ódio a população LGBT.  Matam-se mais LGBTs no Brasil do que nos 13 países do Oriente e África onde há pena de morte contra os LGBT.

No mundo, pelo menos 72 países, estados independentes ou regiões criminalizam a homossexualidade. Dentre esses, oito aplicam pena de morte a homossexuais, segundo levantamento divulgado pela Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Pessoas Trans e Intersexuais (Ilga).

Segundo a OEA, mulheres lésbicas ou identificadas desta forma foram vítimas de “estupro corretivo”, ou estupro para puni-las, com a intenção de “mudar” sua orientação sexual; de espancamentos coletivos por causa de manifestação pública de afeto; de ataques com ácidos; e de entrega forçada a centros que se oferecem para “converter” sua orientação sexual. 

Como o Brasil não tem leis específicas que combatem a LGBTfobia, esse tipo de violência é registrado em outros tipos de crimes, como discriminação, injúria ou agressão, por exemplo. Por isso, não há dados oficiais sobre a violência contra a comunidade LGBT, mas organizações ligadas ao tema fazem levantamentos próprios que ajudam a mensurar a violência cometida em âmbito nacional.

A associação Transgender Europe, por exemplo, coloca o Brasil como um dos países com o maior número de assassinatos de transexuais em números relativos no mundo, entre 2008 e 2016.

Vivemos uma conjuntura de avanço do conservadorismo e de perda de direitos sociais e trabalhistas historicamente conquistados, seguido do aumento da violência e do controle sobre a vida e o corpo das mulheres, com o aumento do racismo, aumento do feminicídio, da lesbofobia, da bifobia, da homofobia, da transfobia, além da repressão, criminalização aos movimentos sociais e populares, criminalização do movimento sindical e da política.

Em tempos de golpe o Estado Democrático de Direitos nos foi roubado e a nossa Constituição foi rasgada. Sem democracia não existem direitos para trabalhadores(as), nem tão pouco direitos para as mulheres, não existem direitos para negras(os), não existem direitos para a população LGBT.

Precisamos avançar, resistir, lutar e construir com amplitude e unidade um Projeto de Nação que nos devolva: O desenvolvimento econômico, a Democracia, a Soberania Nacional, os direitos trabalhistas, os Direitos Sociais, a liberdade de expressão, a laicidade do Estado, a alegria e a esperança de uma agenda positiva para os(as) trabalhadores(as) e para todo o povo brasileiro.

(*) Lésbica, feminista, vice-presidenta da CTB\RS e Membro da Executiva Nacional da UBM.

 

(Foto: Guilherme Santos/Sul21)