Além de Maduro, EUA sancionou 11 parentes de ditador da Venezuela

6 de janeiro de 2026 34

Antes da captura, os Estados Unidos não puniram apenas o ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro. Levantamento da coluna mostra que 11 parentes do ditador – incluindo a ex-primeira-dama, a deputada Cília Flores, e o filho dele, o deputado Nicolás Maduro Guerra – entraram para a “Ofac List”, do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros que administra e aplica programas de sanções, desde 2018.YouTube video player

Com a sanção, Maduro e família não podem entrar nos EUA, tampouco obter visto – o ditador e Cília, porém, estão presos em Nova York desde sábado (3/1), para onde foram levados após os bombardeios e a captura em Caracas. Os bens no país também estão congelados.

O presidente dos EUA, Donald Trump, começou a fechar o cerco contra a família Maduro-Flores em 11 de dezembro, quando três sobrinhos de Cília foram punidos: Efrain Antonio Campo Flores, Franqui Francisco Flores de Freitas e Carlos Erik Malpica Flores, que ex-dirigente da estatal de petróleo da Venezuela. Os dois primeiros são conhecidos como “narco-sobrinhos” (veja a lista completa abaixo).

A Casa Branca ampliou as restrições oito dias depois ao sancionar cinco familiares diretos de Malpica Flores: pai, mãe, esposa, filha e irmã. O grupo pertence à família da ex-primeira-dama. Todas as punições ao clã Maduro-Flores foram aplicadas durante o primeiro e o segundo mandato de Trump (2017-2021 e desde 2025).

Mas esse padrão não continuou durante o governo do ex-presidente Joe Biden (2021-2025). De um lado, o democrata não mandou integrantes da família para a “Ofac List”. Do outro, manteve as sanções contra Maduro, Cília e o filho deputado. A única exceção recaiu sobre Malpica Flores, liberado em 2022 após sofrer a primeira sanção em julho de 2017.

Confira a lista de parentes de Maduro e as datas de sanções aplicadas pelos Estados Unidos

  • Nicolás Maduro: ex-presidente da Venezuela sancionado desde 2017;
  • Cília Flores: deputada e ex-primeira-dama da Venezuela, sancionada desde 2018;
  • Nicolás Maduro Guerra: deputado e filho de Maduro, sancionado desde 2019;
  • Efrain Antonio Campo Flores (Campo): sobrinho de Cília considerado narcotraficante pelos EUA. Foi sancionado em 11 de dezembro;
  • Franqui Francisco Flores de Freitas (Flores de Freitas): sobrinho de Cília considerado narcotraficante pelos EUA. Foi sancionado em 11 de dezembro;
  • Carlos Erik Malpica Flores (Malpica): sobrinho de Cilia, ex-suposto tesoureiro nacional da Venezuela e ex-vice-presidente da estatal Petróleos de Venezuela S.A (PDVSA). Foi sancionado pela primeira vez em julho de 2017, sendo liberado em 2022. A decisão foi aplicada novamente em 11 de dezembro;
  • Eloisa Flores de Malpica: mãe de Malpica Flores e irmã de Cilia Flores. Foi sancionada em 19 de dezembro;
  • Carlos Evelio Malpica Torrealba: pai de Malpica Flores e cunhado de Cília. Foi sancionado em 19 de dezembro;
  • Iriamni Malpica Flores: irmã de Malpica Flores e sobrinha de Cília. Foi sancionada em 19 de dezembro;
  • Damaris del Carmen Hurtado Perez: esposa de Malpica Flores. Foi sancionada em 19 de dezembro;
  • Erica Patricia Malpica Hurtado: filha de Malpica Flores e sobrinha-neta de Cília. Foi sancionada em 19 de dezembro.

Nova presidente da Venezuela também sofre sanções

Como mostrou a coluna, não só os EUA, bem como a União Europeia sancionam a nova presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, desde 2018. As restrições repetem as da família Maduro-Flores.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escolheu Delcy Rodríguez como a “principal interlocutora” das negociações entre o país e a Venezuela. A líder chavista, que era vice-presidente desde 2018, alçou ao posto de Nicolás Maduro após a captura. O casal está preso em Nova Iorque.

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Nicolás Maduro

EUA ataca Caracas, capital da Venezuela

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Trump disse em entrevista à imprensa que os EUA governariam o país até que houvesse uma “transição segura, adequada e criteriosa”. Depois, afagou a nova presidente da Venezuela ao dizer que a via como a sucessora natural de Maduro.

“Ela está essencialmente disposta a fazer o que consideramos necessário para tornar a Venezuela grande novamente”, disse.

Delcy Rodríguez, por sua vez, respondeu que defenderia as riquezas naturais da Venezuela, que detém a maior reserva de petróleo do mundo. Foi então que Trump subiu o tom:

“Se ela não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que o de Maduro”, declarou à revista The Atlantic.

A atual presidente da Venezuela baixou o tom no último domingo (5/1). Em carta aberta, defendeu o diálogo, a paz, a cooperação internacional e um relacionamento “equilibrado e respeitoso” com outros países:

“Estendemos o convite ao governo dos EUA para trabalharmos conjuntamente em uma agenda de cooperação, voltada ao desenvolvimento compartilhado, no marco da legalidade internacional e que fortaleça uma convivência comunitária duradoura”, escreveu.

Maduro participou de uma audiência num tribunal em Manhattan, Nova Iorque, na qual se declarou inocente, na última segunda-feira (5/1). Segundo os EUA, o ex-presidente da Venezuela responderá por narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, uso de armas de guerra e lavagem de recursos provenientes do tráfico. Ainda não houve julgamento.

“Não sou culpado. Sou inocente de tudo o que foi mencionado aqui”, afirmou Maduro no tribunal, para onde foi acompanhado de Cília. O ex-presidente da Venezuela também disse que é um homem decente e que é um “presidente sequestrado”.

Sucessor do ex-presidente Hugo Chávez, Maduro é visto pela Casa Branca como chefe do Cartel de los Soles há mais de duas décadas. O governo de Donald Trump, no entanto, não apresentou provas. Os EUA classificam o grupo, que teria realizado o esquema em parceria com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), como organização terrorista internacional. A acusação prevê pena de prisão com duração de 20 anos à perpétua.

Manifestações a favor e contra a captura de Maduro por parte dos EUA têm ocorrido Venezuela afora desde sábado. Chefes de estado de vários países também condenaram o ataque do governo Trump sem precedentes no continente americano. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, declarou que os bombardeios em Caracas “ultrapassam uma linha inaceitável”.

“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, escreveu nas redes sociais.
Fonte: Melissa Duarte