Alexandre de Moraes determina perda imediata de mandato de Ramagem na Câmara dos Deputados

26 de novembro de 2025 28

Com trânsito em julgado da pena de 16 anos por tentativa de golpe, o ex-diretor da Abin vê seu futuro político selado – mas a Câmara, sob Hugo Motta, pode definir o caminho da decisão

Em uma decisão que reforça o combate às ameaças à democracia brasileira, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (25 de novembro de 2025) que a Câmara dos Deputados declare a perda do mandato do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). A medida, que ainda depende de referendo da Primeira Turma do STF, decorre da condenação definitiva do parlamentar por participação na trama golpista de 2022, ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros envolvidos. Ramagem, ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi sentenciado a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão em regime fechado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

A ordem de Moraes estende-se à prisão preventiva de Ramagem e dos demais condenados no núcleo central da ação penal, incluindo Bolsonaro, cuja detenção foi decretada em outubro. De acordo com investigações da Polícia Federal (PF), o deputado deixou o Brasil de forma clandestina na segunda semana de setembro de 2025, pouco antes da conclusão do julgamento pela Primeira Turma do STF. Interlocutores da PF apontam que a saída ocorreu via Boa Vista (RR), com escala em país da América Latina, rumo aos Estados Unidos, violando proibição expressa de deixar o território nacional imposta pela Corte.

 Atualmente foragido em Miami, Ramagem reside em condomínio de luxo e confirmou sua presença no exterior por meio de vídeo nas redes sociais, alegando que a viagem visava à *”proteção de sua família”*.

A decisão de Moraes estabelece que a cassação deve ser decretada de ofício pela Mesa Diretora da Câmara, argumentando que o regime fechado da pena impede a presença física do parlamentar na Casa, o que resultaria em faltas acima do limite constitucional de 120 dias em um ano. Essa interpretação, similar à aplicada à deputada Carla Zambelli (PL-SP) – também condenada e presa após ter ficado foragida na Itália –, contrasta com o rito adotado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), no caso de Zambelli. Na ocasião, Motta ignorou a ordem imediata do STF e submeteu a perda de mandato à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), seguida de votação no plenário, permitindo que a parlamentar mantivesse o cargo temporariamente. Técnicos da Câmara afirmam que ambos os ritos são viáveis, cabendo a Motta decidir o procedimento após receber a comunicação oficial do Supremo.

Enquanto isso, a ausência de Ramagem tem gerado controvérsias internas na Câmara. Desde sua saída, o deputado apresentou atestados médicos para justificar ausências e exercer o mandato remotamente, prática questionada por especialistas. Documentos protocolados indicam dois atestados: um de 9 de setembro a 8 de outubro, emitido pela psiquiatra Maria João Noronha, no Rio de Janeiro, diagnosticando ”ansiedade generalizada” e recomendando 30 dias de afastamento; e outro de 13 de outubro a 12 de dezembro.

A Câmara autorizou a votação remota com base nesses papéis, mas normas regimentais limitam essa modalidade a requerimentos formais de licença por saúde, não a abonos simples de faltas. A Casa confirmou não ter autorizado missão oficial no exterior nem recebido comunicação prévia da viagem, e líderes aliados a Motta indicam que uma investigação administrativa pode resultar em responsabilização, como cobrança de verbas indevidas. Parlamentares do PL, partido de Ramagem, criticam a manobra como ”sorrateira”, alegando que ele simulava presença no Brasil via mensagens.

Reações políticas não demoraram a surgir. No X (antigo Twitter), o perfil @movadvdireitabr questionou diretamente Motta: ”Moraes manda Câmara declarar perda de mandato de Ramagem… e aí @HugoMottaPB?”, postagem que acumulou mais de 175 curtidas em poucas horas. Já o @g1 destacou a notícia com mais de 1.193 interações, enquanto veículos como Folha de S.Paulo e G1 relataram a surpresa de Motta com a revelação da fuga. Caciques do Centrão, segundo fontes da Veja, analisam o cenário com cautela, pressionados pelo PL para submeter a cassação ao plenário, na esperança de uma votação salvadora. Motta, por sua vez, sinalizou a aliados em setembro que cumprirá a decisão do STF, mas a resistência bolsonarista pode acirrar tensões entre os Poderes.

Além da cassação, Moraes oficiou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para declarar inelegíveis todos os condenados por oito anos e determinou a perda de patentes militares de Bolsonaro (capitão da reserva) e generais envolvidos, a ser analisada pelo Superior Tribunal Militar (STM). Para Ramagem e o ex-ministro Anderson Torres, delegados federais, há ordem de desligamento imediato da Polícia Federal. A PF, em pedido sigiloso aceito por Moraes, reforçou o risco de fuga concreta, citando mensagens de Ramagem a Bolsonaro questionando a credibilidade das urnas eletrônicas.

Essa condenação integra o desfecho da Ação Penal 2668, julgada pela Primeira Turma em setembro de 2025, com divergência apenas do ministro Luiz Fux. A trama golpista, investigada desde os atos de 8 de janeiro de 2023, expôs tentativas de subverter o Estado Democrático de Direito, com Ramagem atuando como elo entre Abin e aliados de Bolsonaro. A decisão reforça a responsabilidade judicial, mas expõe fragilidades no Legislativo, onde foragidos como Ramagem e Zambelli continuam a receber salários e verbas de gabinete – cerca de R$ 100 mil mensais por parlamentar, conforme dados públicos da Câmara.

 

Fonte: ALAN ALEX
PAINEL POLITICO (ALAN ALEX)

Alan Alex Benvindo de Carvalho, é jornalista brasileiro, atuou profissionalmente na Rádio Clube Cidade FM, Rede Rondovisão, Rede Record, TV Allamanda e SBT. Trabalhou como assessor de imprensa na SEDUC/RO foi reporte do Diário da Amazônia e Folha de Rondônia é atual editor do site www.painelpolitico.com. É escritor e roteirista de Programas de Rádio e Televisão. .