Cartão de crédito: o vilão silencioso da inadimplência no Brasil
O cartão de crédito se consolidou como o principal motor do endividamento das famílias brasileiras. Incentivado por programas de pontos, cashback, parcelamentos e limites pré-aprovados, ele é apresentado como símbolo de conveniência. Na prática, tornou-se uma das ferramentas mais lucrativas do sistema financeiro.
O problema está no chamado spread bancário — a diferença entre o custo de captação do dinheiro e a taxa cobrada do cliente. Em termos simples, é a margem de lucro do banco. No crédito rotativo do cartão, esse spread atinge níveis extremamente elevados.
O resultado é um ciclo perverso. O trabalhador usa o cartão para complementar a renda. Ao não conseguir pagar a fatura integral, entra no rotativo ou no parcelamento com juros altos. Parte crescente da renda passa a ser destinada ao setor financeiro.
Essa transferência de recursos afeta toda a economia real.
Quando famílias destinam mais dinheiro para pagar juros, sobra menos para o consumo. O comércio vende menos. A indústria reduz pedidos. O agronegócio enfrenta queda na demanda. Pequenos empresários também são pressionados pelas taxas cobradas sobre cada transação realizada no cartão.
O que deveria ser um meio de pagamento tornou-se um mecanismo de extração de renda.
Em outros setores, como cigarro e bebidas alcoólicas, produtos com elevado impacto social passaram a ser objeto de campanhas educativas e tributação específica. O mesmo debate pode ser aplicado ao crédito de curtíssimo prazo com juros excessivos.
Uma alternativa de justiça fiscal seria a tributação progressiva sobre spreads abusivos. Quanto maior a margem obtida nas operações de crédito, maior a tributação. Isso criaria estímulo para a redução das taxas e para um sistema financeiro mais equilibrado.
O desafio é enfrentar a forte influência do setor financeiro sobre o ambiente regulatório e político.
Enquanto milhões de brasileiros seguem presos ao endividamento estrutural, permanece uma pergunta inevitável: os candidatos que disputam as eleições estão comprometidos com uma agenda de juros justos e com a defesa da economia real?
MAIS LIDAS
Sexo seguro e prazer: médica explica como aliar proteção e satisfação
JABURU DIRETO AO ASSUNTO
Chegou 2016. E aí rei da cocada? E aí autoridades? 1 – Ano de eleição. Não fez, não fez! Político promessa é igual produto ruim. Experimenta-se somente uma vez. 2 – E aí a propaganda? Prometeu. Mentiu. Não fez. Não cumpriu. Enganou. Difícil apagar da mente. Não adianta gastar a grana do povo. Tirar foto com fotoshop. Vai ter que tirar do ar. Os da lei mandaram! 3 – E tem mais! Aguenta a oposição mostrando e reprisando as notícias das promessas e das maracutaias. 4 – E as maracutaias “novas”? Tem muita gente calada. Por conveniência. Muda nunca! Amordaçada muito menos! E roubo não se esconde e muito menos se esquece. Os caminhos ficaram marcados e o pior, documentados. 5 – Tá tudo scaneado e filmado. E haja sacanagem! Como diz o caipira. “Na roça tem hora pra tudo!”. “Pra cume, pra bebe, pra trabaia, pra caga e pra fala mar dosoutros”. 6 – E a elite está preocupada. A tropa já está em campo avaliando suas empatias. 7 – Cidade e mente. Ambas pequenas. É assim! Querem vencer pela empatia e pelo poder. Tudo no interesse próprio. 8 – E a elite mostrando --- o ruim que “gostam” e o bom que não os “serve”. O município se desenvolve, mas as cabeças dominantes são permanentemente contaminadas, agora pelo Zika Vírus. “E a Cidade faz a sua metamorfose atropelada e empurrada pela população, mas continua o berço da elite dos homens de cabeça pequena”. --- Praga que resiste ao tempo. Participe. 9 – Esta coluna é escrita com a participação de várias pessoas e Você poderá participar e contribuir enviando e-mail para: jaburu.ro@gmail.com 10 – Envie sua observação, crítica, matéria, sugestão, pauta, direito de resposta, etc, em até quatro linhas.