Covid-19: O que se sabe sobre a nova variante encontrada na África do Sul

26 de novembro de 2021 32

JOHANNESBURG e LONDRES — Autoridades globais reagiram com alarme a uma variante do coronavírus detectada na África do Sul, com a União Europeia, Reino Unido e Índia entre os que já anunciaram controles de fronteira, alfandegários e de viagens mais rígidos enquanto os cientistas procuram determinar se a mutação é resistente às vacinas. Os mercados financeiros mundiais também refletiram a preocupação, com as principais bolsas em queda temendo o efeito da nova variante sobre a recuperação da economia global.

Veja o que se sabe até agora sobre a nova variante encontrada na África do Sul e que já preocupa diversos países e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Onde e quando encontraram a nova variante?

Cientistas sul-africanos detectaram um pequeno número da variante — chamada por enquanto de B.1.1.529 — na terça-feira, em amostras de 14 a 16 de novembro.

Na quarta-feira, cientistas sul-africanos sequenciaram mais genomas, informaram ao governo que estavam preocupados e pediram à Organização Mundial da Saúde (OMS) para reunir seu grupo de trabalho técnico sobre a evolução do vírus para sexta-feira.

O país identificou cerca de 100 casos da variante, principalmente em sua província mais populosa, Gauteng.

A nova variante já se espalhou?

Cientistas sul-africanos dizem que os primeiros sinais de laboratórios de diagnóstico sugerem que a doença se espalhou rapidamente em Gauteng e pode já estar presente em outras oito províncias do país.

A taxa de infecção diária do país quase dobrou na quinta-feira, passando para 2.465. O Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis (NICD) da África do Sul não atribuiu o crescimento à nova variante, embora cientistas locais suspeitem que seja a causa.

O Botswana detectou quatro casos, todos estrangeiros que chegaram em missão diplomática e desde então deixaram o país.

Hong Kong registrou um caso, de um viajante vindo da África do Sul. Israel também tem um caso, o de um viajante voltando do Malaui.

A variante é relativamente fácil de distinguir em testes de PCR de Delta, a variante Covid-19 dominante e a mais infecciosa até agora. Ao contrário da Delta, ela tem uma mutação conhecida como drop-out do gene S.

Por que a nova variante está preocupando os cientistas?

Todos os vírus — incluindo o Sars-CoV-2, o vírus que causa a Covid-19 — mudam com o tempo. A maioria das mudanças tem pouco ou nenhum impacto em suas propriedades. No entanto, algumas alterações podem afetar a facilidade de disseminação, a gravidade ou o desempenho das vacinas contra eles.

Esta variante foi investigada porque tem mais de 30 mutações na proteína spike que os vírus usam para entrar nas células humanas, dizem autoridades de saúde do Reino Unido.

Isso é quase o dobro do número da Delta e torna essa variante substancialmente diferente do coronavírus original que as vacinas contra Covid atuais foram projetadas para neutralizar.

Cientistas sul-africanos dizem que algumas das mutações estão associadas à resistência a anticorpos neutralizantes e maior transmissibilidade, mas outras não são bem compreendidas, então seu significado total ainda não está claro.

A Conselheira Médica Chefe da Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido, Dra. Susan Hopkins, disse à rádio BBC que algumas mutações não haviam sido vistas antes, então não se sabia como elas interagiriam com as outras, tornando-se a variante mais complexa vista até agora.

Portanto, mais testes serão necessários para confirmar se é mais transmissível, infeccioso ou pode escapar das vacinas.

O trabalho levará algumas semanas, disse na quinta-feira a líder técnica da Organização Mundial da Saúde na Covid-19, Maria van Kerkhove. Nesse ínterim, as vacinas continuam sendo uma ferramenta crítica para conter o vírus.

Nenhum sintoma incomum foi relatado após a infecção com a variante B.1.1.529 e, como com outras variantes, alguns indivíduos são assintomáticos, disse o NICD da África do Sul.

O que a OMS disse sobre a nova variante?

A agência da ONU decidirá se deve ser designada uma variante de interesse ou variante de preocupação. O último rótulo seria aplicado se houver evidência de que é mais contagioso e que as vacinas não funcionam bem contra ela, e seria dado um nome grego.

A OMS identificou até agora quatro variantes "preocupantes" - Alfa, Beta, Gama e Delta.

Duas variantes de interesse são a Lambda, identificada no Peru em dezembro de 2020, e Mu, na Colômbia em janeiro.

Fonte: Reuters