Delegado Que Investiga Esquema De Tucanos Em Minas, Recebe Ameaça De Morte
Há meses a perspectiva de duas explosivas delações premiadas assombra políticos tucanos e figuras do sistema judiciário e policial de Minas Gerais.
Uma, teve o acordo de colaboração assinado.
É a do ex-lobista Nílton Antônio Monteiro, delator das listas do Mourão – o mensalão tucano, ou mineiro – e a de Furnas.
O acordo foi entre a Polícia Civil de Minas, representada pelo delegado Rodrigo Bossi de Pinho e Nilton, acompanhado no ato do seu advogado Bruni de César Silva.
A outra delação iminente, cujas oitivas estão em andamento, é a do publicitário Marcos Valério, condenado no mensalão petista e denunciado no mensalão tucano.
Duas bombas atômicas, dizem alguns. Nitroglicerina, comparam outros.
Só que há um porém: o delegado Bossi, chefe do Departamento de Investigações de Fraudes e responsável pela condução das duas delações, foi ameaçado de morte.
4 de abril, final da tarde. A sessão especial da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) está quase acabando.
O evento é transmitido ao vivo pela TV Assembleia.
Entre os componentes da mesa, um velho conhecido dos movimentos sociais do Estado, o advogado Willian Santos. Há sete anos ele preside a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Minas Gerais (OAB-MG).
A cerca de cinco minutos do fim, ele pede a palavra:
Eu acabei de receber aqui no whatsapp uma denúncia de um delegado geral de polícia (…).
O delegado, o doutor Rodrigo Bossi – é bom que fique registrado – está sendo ameaçado de morte com a família pelas investigações que ele está conduzindo na delegacia de fraudes.
(…)
Há uma investigação contra ele que foi colocada na Corregedoria da Polícia Civil pelos delegados Márcio Simões Nabak (…) e César Matoso.
São dois delegados da Polícia Civil já conhecidos da gente há muito tempo, que fizeram e aconteceram neste Estado.