Guedes pede conciliação para enfrentar ‘tempestade perfeita’ na economia

13 de março de 2020 282

De Machado da Costa e Thiago Bronzatto na Veja.

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Não estamos em guerra, mas o Brasil hoje se vê em meio a uma tempestade perfeita, uma imagem emprestada da meteorologia para definir um fenômeno em que surgem no horizonte frentes simultâneas de violenta instabilidade. E, ainda assim, de um lado, o Executivo, personalizado pelo presidente Jair Bolsonaro, segue com suas provocações erráticas e intempestivas em sua rota de confronto com os demais poderes. O Congresso, por sua vez, trata de não deixar nenhuma provocação sem resposta e de impingir toda e qualquer derrota ao Palácio do Planalto. Nesse mar de insensatez, uma única voz de bom-senso surgiu em meio à cacofonia de ataques mútuos: a do ministro da Economia, Paulo Guedes. Em entrevista a VEJA, ele verbalizou a preocupação que deveria ecoar como um mantra entre os servidores públicos e, de forma geral, os cidadãos no país. “Temos de nos unir. Precisamos proteger o Brasil”, disse ele.

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O apelo do ministro à razão se deu em meio a uma semana particularmente turbulenta. Na quarta-feira 11, após o esforço hercúleo de aprovação da reforma da Previdência no ano passado — e da economia de 800 bilhões de reais que dela decorrerá nos próximos dez anos —, o Parlamento impôs uma derrota ao Executivo (e ao Brasil) que custará cerca de 200 bilhões de reais na próxima década ao afrouxar as regras do pagamento do Benefício de Prestação Continuada (BPC). A Advocacia-Geral da União se mobiliza agora para questionar no STF a decisão, sinal de mais desgaste em torno do assunto. O irresponsável movimento dos congressistas aconteceu após outro lance destrambelhado: a insistência do presidente e seus apoiadores em atiçar simpatizantes a ocupar as ruas em manifestações contra o Congresso. Com a briguinha infantil entre poderes e o cenário ficando cada vez mais nebuloso lá fora, o pânico venceu. Na quinta feira 12, a decisão do presidente Donald Trump de fechar seu país a todo e qualquer viajante proveniente da Europa, tomada na noite anterior, catapultou o dólar à casa dos 5 reais. Com todos os sinais apontando para uma retração econômica, a reação do mercado foi semelhante à que Dante Alighieri usou para descrever o purgatório: gritos e ranger de dentes. Meia hora depois da abertura, a bolsa bateu seu terceiro circuit breaker na semana, dispositivo de segurança nas transações, com queda de 11,6%. Com as operações reiniciadas, houve um novo circuit breaker por volta das 11 horas, quando as perdas chegaram a 15%. “O mercado tenta se antecipar ao que vai acontecer. Ou seja, em meio a tanta instabilidade, está uma loucura”, diz Luiz Fernando Figueiredo, fundador da Mauá Capital.

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