Malafaia admite corrupção no governo, mas tenta blindar Bolsonaro: "recebeu algo?"

22 de junho de 2022 23

Nas cordas após a prisão de seu ex-ministro Milton Ribeiro, da Educação, Jair Bolsonaro (PL) escalou a tropa de choque na tentativa de blindá-lo das investigações sobre o esquema de corrupção implantado por pastores no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Calado nas redes, Silas Malafaia, pastor midiático tido como conselheiro de Bolsonaro, falou com o jornal O Globo e, apesar de admitir caso de corrupção no governo, saiu em defesa do presidente.

"Acredito, sinceramente, que deve ter em algum outro canto do governo algum caso de corrupção. Agora, minha questão é a seguinte: o presidente deu algum aval, recebeu algo? Não.Tanto que o cara (Ribeiro) é ex-ministro", disse Malafaia.

Ele ainda tentou minimizar a relação de Ribeiro com a bancada evangélica. Embora seja pastor, o ex-ministro era mais ligado ao clã presidencial, mantendo um relacionamento estreito com a primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

"Milton não é indicação da bancada evangélica. E mesmo se fosse o caso, não somos responsáveis por adultos. Nós queremos investigação. E se ele deve que pague", afirmou.

No campo político, a deputada federal Carla Zambelli (PL) saiu em defesa de Bolsonaro e colocou a conta no colo do ex-ministro. "Se o ex-ministro tiver culpa, que pague. E, se for inocente, que consiga provar sua inocência".

A deputada, no entanto, usou uma velha estratégia da ultradireita, de culpar o juiz que autorizou a operação, lembrando que Renato Borelli, da 15ª Vara Federal em Brasília, determinou, em junho de 2020, que Bolsonaro usasse máscara de proteção em espaços públicos e fixou uma multa diária de R$ 2.000.

"Temos que ficar de olho, por exemplo, se outros juízes vão manter essa decisão", afrmou.

Pelas redes, Marco Feliciano (PL-SP) fez coro com Bolsonaro, que disse em entrevista que a prisão prova que ele não interefere na Polícia Federal.

“Em relação à prisão do ex-ministro Milton Ribeiro: 1) O presidente Jair Bolsonaro já o havia afastado. 2) O Governo não compactua com possíveis erros, tanto que a investigação da PF se baseia em um relatório da CGU, órgão do Governo Federal. 3) A lei vale para todos!”, escreveu.

Com informações dos jornais O Globo e Folha de S.Paulo.

Fonte: REVISTA FÓRUM/PLINIO TEODORO