PETROBRAS REGISTRA EM 2019 O MAIOR LUCRO DE SUA HISTÓRIA

20 de fevereiro de 2020 308

 RIO – A Petrobras registrou em 2019 o maior lucro de sua história. Embalado pela venda de ativos e aumento da produção, a estatal obteve ganhos de R$ 40,137 bilhões. É uma alta de 55,7% em comparação com 2018.

De acordo com dados da consultoria Economática, trata-se do melhor lucro já registrado pela estatal desde a década de 1990. Até agora, o melhor resultado da Petrobras havia sido registrado em 2010, com R$ 35,2 bilhões. O ganho recorde é apresentado em meio a um momento delicado para a empresa, que enfrenta uma greve de petroleiros que já dura 19 dias.

A Petrobras voltou a ter lucro em 2018, quando a estatal voltou ao azul após quatro anos seguidos de prejuízo na esteira do escândalo de corrupção da Operação Lava-Jato e da política de represamento dos preços dos combustíveis no governo de Dilma Rousseff. Em 2018, a Petrobras lucrou R$ 25,8 bilhões, o melhor resultado da empresa em sete anos.

O ganho recorde, segundo a Petrobras, foi motivado como resultado do ganho de capital sobre desinvestimentos (no valor de US$ 16,3 bilhões), como a venda da TAG, BR Distribuidora e campos de petróleo.

Isso compensou as maiores despesas financeiras com gerenciamento da dívida, o maior impairment e os menores preços do barril de petróleo. A Petrobras destacou que o preço médio do petróleo caiu de US$ 71 por barril em 2018 para US$ 64 no ano passado.

“Não se trata de discutir se a Petrobras será maior ou menor no futuro. Nossa meta é que no futuro seja muito melhor, a melhor em geração de valor no mundo”, disse o executivo, em alusão à venda de ativos.

Em carta aos acionistas, Roberto Castello Branco, presidente da Petrobras, destacou as duas ofertas públicas secundárias de distribuição de ações ordinárias  que totalizaram quase R$30 bilhões. “São merecedores de destaque na última transação, de R$22 bilhões, dois aspectos importantes, a condução com sucesso em meio à fase de alta volatilidade de preços de ações e petróleo provocada pelo choque do coronavírus sobre a economia global; e a participação de 55.000 investidores individuais brasileiros na compra das ações, o que é extraordinariamente bom para o desenvolvimento do mercado de capitais local”, disse o executivo.PUBLICIDADE

QUEDA NO CUSTO DE EXTRAÇÃO

A empresa lembrou ainda que, após “anos de estagnação” na produção, a companhia  registrou a marca de 3 milhões de petróleo e gás por dia. Castello Branco ainda comemorou a redução dos custos de exploração.

“O custo médio de extração atingiu US$ 6,5 por barril no quarto trimestre de 2019, caindo em US$ 3 em relação ao início de 2018. As operações no pré-sal, com custo da ordem de US$ 3 por barril, deram contribuição relevante para a queda do custo médio total”, citou o executivo.

Cronologia:Confira a linha do tempo da greve dos petroleiros

A dívida líquida somou R$ 317,867 bilhões no fim do ano passado, uma alta de 1,2% em relação ao fim do terceiro trimestre. Em dólar, a alta foi de 4,6%, para US$ 78,861 bilhões.

Segundo a Petrobras, a dívida líquida subiu devido ao pagamento de bônus do leilão do excedente da cessão onerosa. Já a venda de ativos reduziu a dívida bruta da companhia em 3,1%, para US$ 87,1 bilhões.

“Avanços foram realizados, mas estamos ainda muito aquém do desejado. A Petrobras continua a ser uma dascompanhias de petróleo mais  endividadas do  mundo,  com  dívida  bruta de  US$ 87,1  bilhões,  alavancagem  acima  do  recomendável  para  uma  empresa  de petróleo e custos elevados”. disse o presidenrte da empresa.

BAIXA CONTÁBIL DE R$ 9,1 BI

Apesar do lucro recorde, a Petrobras registrou baixa contábil de R$ 9,139 bilhões no quatro trimestre de 2019. Segundo  a estatal, houve adiamento do investimento na segunda unidade da Rnest e do cancelamento da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN III), que, em fevereiro deste ano, foi colocada à venda. Destaque ainda para a baixa de R$ 6,5 relativa à “revisão de expectativa de curva do Brent” e o Comperj.