Queimadas na Amazônia deixam Manaus com ar irrespirável

6 de novembro de 2023 120

A fumaça que cobre Manaus se intensificou neste sábado (4/11), deixando a capital amazonense com uma aparência cinza. A qualidade do ar é considerada péssima, segundo o sistema “Selva”, desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Alguns pontos da capital registraram um índice de Qualidade do Ar (IQAr) superior a 400 ug/m3 (micrograma por metro cúbico), com base em um cálculo que usa como referência uma resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). Acima de 125 ug/m3, o nível de poluição já é considerado péssimo.

A fumaça que atinge Manaus é oriunda de queimadas na floresta amazônica, e a situação já dura um mês, sem sinais de melhora. Em outubro, o Amazonas registrou o maior número de focos de incêndio desde 1998, quando o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) iniciou o monitoramento.

O secretário de Meio Ambiente do Amazonas, Eduardo Taveira, disse que a qualidade do ar em Manaus deve continuar ruim até dezembro. Neste sábado, a cidade vive o ápice da segunda onda de fumaça.

A capital do Amazonas é o epicentro de uma grave crise ambiental que atinge todo o estado. O problema é potencializado pelas queimadas que, em todo o Amazonas, somam mais de 15 mil nos últimos três meses. Outubro, inclusive, foi o pior mês em relação aos incêndios dos últimos 25 anos. Com o problema, o governo do estado decretou emergência ambiental.

Em vídeo publicado na última sexta-feira, o governador Wilson Lima culpou as queimadas no Pará, apesar do cenário alarmante de aumento de focos de calor no Amazonas. Segundo ele, a fumaça vem do outro estado do Norte.

“Hoje, o que nós sofremos é uma injustiça climática. Não somos nós os causadores dos problemas que nós estamos enfrentando neste momento”, afirmou. O governador pontuou que nas ações de combate às queimadas, 100 pessoas já foram detidas e mais de R$ 160 milhões em multas foram aplicadas.

O Pará também vivencia uma situação dramática com aumento de queimadas. Em outubro, foram 11.378 focos de incêndio registrados pelo Inpe, o segundo maior número da série histórica desde 1998.

Fonte: GAZETA DO BRASIL