Rejeição de liderança abre caminho para cassação de Eduardo Bolsonaro

23 de setembro de 2025 92

indeferimento do nome de Eduardo Bolsonaro (PL), determinado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), na noite dessa segunda-feira (22/9), para o cargo de líder da Minoria, abre caminho para que ele seja cassado por faltas, caso complete o prazo de ausências sem justificativa.

O PL, liderado pelo deputado federal Sóstenes Cavalcante (RJ), havia oficializado a indicação de Eduardo como líder da Minoria junto à Mesa Diretora da Casa na terça-feira (16/9).

Com a negativa de Motta, o Conselho de Ética da Câmara deve abrir, na tarde desta terça-feira (23/9), um processo disciplinar que pode levar à cassação do deputado Eduardo Bolsonaro.

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está nos Estados Unidos desde fevereiro, mas de março a julho ficou de licença do cargo. A partir de então, as faltas começaram a ser contabilizadas.

O que aconteceu?

  • O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), indeferiu, na noite dessa segunda-feira (22/9), a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) como líder da Minoria. O parlamentar está nos Estados Unidos, onde atua para a aplicação de sanções contra autoridades nacionais, e corre risco de perder o mandato por faltas.
  • No documento em que indeferiu a indicação de Eduardo, Motta anexou o parecer da Secretaria-Geral da Mesa (SGM). Nele, o órgão técnico argumenta que uma missão autorizada fora do país “é estritamente definido pelo regimento interno como uma representação oficial da Câmara, para cumprir missão temporária, devidamente autorizada e comunicada”, o que não é o caso de Eduardo.
  • “A ausência de comunicação prévia sobre o afastamento do território nacional, como ocorre no caso em análise, constitui, por si só, uma violação ao dever funcional do parlamentar. […] Um afastamento não comunicado à Presidência da Câmara não pode, sob nenhuma ótica, ser considerado uma missão autorizada, pois lhe faltam os elementos essenciais de autorização, formalidade e ciência oficial”, diz um trecho do parecer da SGM.

A deputada Caroline de Toni (PL-SC) renunciou ao posto e passaria a ser a primeira-vice-líder da Minoria, o que lhe permitiria substituir o filho 03 de Bolsonaro em votações em plenário durante eventuais ausências.

O parecer da SGM declarou que existe incompatibilidade entre a ausência física do deputado e a atribuição como líder, uma vez que o líder da Minoria tem cadeira no Colégio de Líderes, que realiza reuniões presenciais toda semana.

A indicação para o cargo de líder era uma forma de o PL tentar driblar o regimento da Câmara e fazer com que o parlamentar não fosse cassado.

Nesta terça, além de instaurar o processo, o Conselho de Ética deve formar uma lista com três potenciais nomes para relatar o caso.

A abertura é a primeira fase de um procedimento no órgão. Se o processo seguir, depois de diversas etapas, que preveem espaço para defesa do parlamentar, o relator poderá opinar pela absolvição ou pela punição de Eduardo Bolsonaro, que pode ir de uma censura até a perda do mandato.

Eduardo foi denunciado pela PGR na segunda (22/9)

A decisão de Motta foi tomada no mesmo dia em que a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Eduardo e o influenciador Paulo Figueiredo por coação em processo judicial. Ambos estão nos EUA negociando sanções a autoridades brasileiras por causa da condenação de Bolsonaro na ação da trama golpista.

Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, os “denunciados empenharam-se, de forma reiterada, em submeter os interesses da República e de toda a coletividade aos seus próprios desígnios pessoais e familiares”.

 

Fonte: Gabriel Buss Giovanna Pécora