Secretário-adjunto de Arujá é exonerado após suspeita de matar GCM

26 de dezembro de 2025 39

O secretário-adjunto de Segurança de Arujá, Uelton de Souza Almeida, de 40 anos, foi exonerado do cargo após ser apontado como principal suspeito de matar o guarda civil municipal Nelson Caetano de Lima Neto, de 37 anos, na véspera do Natal. O desligamento ocorreu após o registro da ocorrência, que passou a ser investigada como homicídio qualificado.

O crime aconteceu na noite de quarta-feira (24/12), por volta das 23h10, em uma residência localizada no bairro Jardim Arujá, em Arujá, na Grande São Paulo. De acordo com registros da Polícia Civil, obtidos pelo Metrópoles, Uelton, inicialmente, foi convidado por guardas, via celular, para um churrasco.

Cerca de cinco minutos depois, ainda conforme o registro oficial do caso, Uelton voltou a entrar em contato com a corporação, relatando que teria havido uma tentativa de invasão à residência onde estava. Ele solicitou que a equipe fosse ao local apenas para a preservação da área.

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O crime ocorreu na véspera do Natal e resultou na morte de um guarda civil metropolitano de Mogi das Cruzes

A Prefeitura de Arujá informou, em nota, que afastou o secretário-adjunto do cargo e suspendeu suas funções na Guarda Civil Municipal

Uelton de Souza Almeida, ex-secretário-adjunto de Segurança de Arujá, é investigado pela morte de um guarda civil metropolitano ocorrida na véspera do Natal

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Quando os GCMs chegaram, encontraram a ex-esposa de Uelton, Juliana Simão Gomes, em estado de choque. Ela então informou que a vítima havia sido ferida a tiros efetuados pelo próprio Uelton.

Segundo o registro policial, Juliana relatou que estava na área da cozinha quando ouviu o som dos tiros. Ela afirmou que os disparos ocorreram “de forma repentina”. Nelson foi atingido e caiu no local, onde sua morte foi constatada instantes depois. Uelton fugiu.

Homicídio qualificado

A Polícia Civil informou que, inicialmente, equipes da guarda realizaram buscas no imóvel e no entorno para tentar localizar o suspeito, mas ele não foi encontrado. O local apresentava marcas de sangue e indícios de que o provável autor havia fugido logo após os disparos.

Na Delegacia de Arujá, crime foi enquadrado, em análise preliminar, como homicídio qualificado. Segundo o entendimento inicial, os disparos teriam sido efetuados de surpresa, sem possibilidade de reação ou defesa por parte da vítima.

O corpo de Nelson Caetano de Lima Neto foi encaminhado ao Instituto Médico Legal para exame necroscópico. Ele seria velado durante a noite de Natal, até por volta das 9h desta sexta-feira (26/12), horário previsto para o sepultamento em Ferraz de Vasconcelos, na região metropolitana.

Até a publicação desta reportagem, as diligências seguiam em andamento para localizar o suspeito e esclarecer completamente as circunstâncias do crime.

Citação anterior no Ministério Público

Além da investigação criminal, Uelton de Souza Almeida também foi citado em procedimento do Ministério Público de São Paulo (MPSP) por suspeita de improbidade administrativa. O caso foi apurado por meio de um inquérito civil instaurado pela 1ª Promotoria de Justiça de Arujá.

De acordo com o MPSP, entre os anos de 2021 e 2024, Uelton acumulou de forma irregular o cargo de Guarda Civil Municipal com o mandato eletivo de vereador, participando de sessões extraordinárias da Câmara Municipal de Arujá em horários incompatíveis com o expediente na GCM. A investigação apontou que ele teria recebido remuneração como guarda municipal sem a efetiva prestação do serviço.

Relatórios anexados ao procedimento identificaram, ao longo dos quatro anos analisados, dezenas de sessões com sobreposiçao de horários de jornadas de trabalho. O prejuízo ao erário municipal foi calculado pela Prefeitura de Arujá em R$ 2.913,35, valor atualizado com juros.

Durante a tramitação do inquérito, obtido pelo Metrópoles, Almeida confessou formalmente a prática do ato e firmou um acordo de não persecução cível com a Promotoria.

Pelo acordo, ele se comprometeu a ressarcir integralmente o dano aos cofres públicos e a pagar multa civil no mesmo valor, totalizando R$ 5.826,70. O acordo foi homologado pelo Conselho Superior do Ministério Público, resultando no arquivamento do inquérito civil.

Fonte: Alfredo Henrique